quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

IDIOTA



- A idiota olhou para a minha cara, disse qualquer coisa que nem entendi e me deu as costas! - disse ele, agitado, gesticulando.

- E você nem foi atrás? – perguntou o outro, recostado na cadeira, olhar vagueando pelo bar.

- Como assim? Ir atrás dela? Dela?! Cê tá maluco? – quase debruçando-se sobre a mesa.

- Hum... Sei lá... Podia ter ido. Podia ter entendido o que ela disse e... – olhar vago, voz lenta.

- Eu já disse mais de mil vezes: ela não presta! Não presta! – as duas mãos no tampo da mesa, corpo quase arremessado em direção ao amigo de corpo presente.

- É... Disse... – quase voltando do seu alheamento – O que foi que ela disse, mesmo?

- E eu lá sei o que ela disse?! Dane-se ela! – batendo na mesa – O que sei é que ela me traiu! Traiu! Saiu com outro qualquer! Um vagabundo como ela! Devem se merecer...

- Ela disse que o traiu? – pela primeira vez atento à conversa.

- Mas não é isso que estou lhe dizendo desde a hora que entramos aqui? – impaciente, nem acreditando que o amigo mal lhe dera ouvidos – Eu a peguei saindo de um hotelzinho barato. Quando agarrei no braço dela, ficou branca. Branca! E depois não quis me dizer mais nada. Disse qualquer coisa, mas não sei o que foi.

- Acho que ela disse: pergunte a seu amigo. – disse ele, com tranqüilidade.

- Não entendi. – como se, de repente, o ônibus imaginário tivesse freado bruscamente.

- Ela foi me socorrer. – dessa vez, suspirando profundamente, buscando as palavras.

- Socorrer? – tateava o vácuo.

- Eu tinha ligado para você, mas o seu celular não atendia. – continuou ele – Então liguei para ela.

- ...

- Bom, ela veio correndo. Talvez rápido demais. – disse ele meio encabulado – A garota com quem eu estava já estava se recuperando do mal estar, mas...

- E?

- Da janela ela pode ver quando você deixou a sua secretária no apartamento dela. E viu como se despediram. – disse em voz muito baixa – Eu quis segurá-la por lá, mas ela desceu e deu de cara com você, na porta do hotel.

- Que idiota... – resmungou, enterrando os dedos nos cabelos.

- Era o que eu estava pensando... – olhar novamente perdido...

- Que idiota... – também perdido em pensamentos....

10 comentários:

PreDatado disse...

As vezes quando queremos esconder os nossos defeitos realçamos os dos outros mas nem sempre dá certo.

Bento disse...

Às vezes o que parece...não é.. Muito Bom!

iara disse...

tolinho....
quanto maior a soberba maior a queda!
adouuuro...rs
bjs

Mago disse...

Que idiota... Pensei eu aqui. Cada vez melhor hein! U grande abraço e tudo de bom!

Mai disse...

Eu te disse, eu te disse... Tem coisa que é só embalagem...
És uma Bruxa que eu adoro. Nem tens verruga com cabelo, na ponta do nariz ou do queixo.. Adoro te ler.

Ah! tem tantas e tantos idiotas por ai....

(idiotos, também.... deveria ser assim o masculino, não?)
Vamos pedir um novo acordo ao acordo?

Poisongirl disse...

Homens bestas.
Quem com ferro fere , com ferro será ferido...

Andre Martin disse...

Hahahaha. "IdiotO"... gostei! também deveria ser permitido "medA", "fotA", "motA", "exigentA".

MAS... se não fosse única a palavra idiotA, este conto não teria sido tão genial, como o considero! Ótimo texto, Mirian!!

D.Ramírez disse...

Realmente uma interpretação pode mudar o rumo da prosa e não ser nada daquilo hahaha
Você é ótima!
Besitos

Monday disse...

que idiota .... kkkkkkkkkk

Escrevendo na Pele disse...

rsrsrss já viu aquela história da vidraça embaçada? Pois é, tem gente que precisa limpar as lentes dos óculos! Muito bom.