quinta-feira, 5 de março de 2009

Marcas registradas da vida

Outro dia decepcionei minha mãe. Não naquele sentido que você escolhe não fazer medicina nem direito, não. Foi algo bem mais simplório, dessas coisas q vc nem se dá conta pq faz naturalmente, mas olha pro lado e saca o olhar. Foi um inócuo "me vê um Toddynho e um pão de queijo, por favor", quando deixamos o escritório para um lanche no café do prédio.

Eram aqueles mesmos olhares que me condenavam pela televisão parada no Cartoon Network, pelas pilhas de DVDs de animação japonesa, pelas pecinhas de lego q de vez em quando apareciam espalhadas. E quase o mesmo grau de decepção de quando eu rio assistindo ao Chaves. As meninas do café não questionavam mais o meu Toddynho, já tinham feito graça disso da primeira vez, algum tempo atrás, quando eu pedi e me falaram que só tinha o Nescau Pronto. Claro que eu recusei, aquilo ali é um lixo.

O fato é que aquele olhar foi de um julgamento tal que eu realmente por alguns instantes pensei estar fazendo algo errado. "Na sua idade tomando Toddynho?" Ela nem precisava dizer, eu tinha certeza do que queria me perguntar, ali. A tensão era clara. Por trás daqueles olhos, contabilizava todos os anos pagando por educação privada, colégio caro, cursos de línguas, o eventual esporte (por pilha), faculdade particular... e o cara chega aos 27 um debilóide que toma Toddynho e tem gosto duvidoso para entretenimento televiso enlatado do méxico? Decepção, realmente.

O correto possivelmente seria pedir um café... mas eu tinha acabado de tomar um, no escritório. Talvez uma Coca-Cola? Sei lá, não tava com estômago pra refrigerante, sabe? E não é que o achocolatado me faça bem, mas refrigerante tão cedo? Sei lá, né. Só sei que estava a fim e pedi, não foi coisa de muito raciocínio. Sou do tipo que se a Gilette ainda corta, a Bic ainda escreve e a Xerox tá legível, por quê mudar? Dizer que estou crescendo é válido pra uma coisa só, supostamente? Hábitos alimentares, sério?

Juro que não deixou de ser gostoso. Nem o Toddynho nem o bolo Ana Maria de doce de leite. E além de terem aquele sabor que eu me lembro, ainda trazem o sabor da infância. Síndrome de Peter Pan? Provavelmente, devo mesmo ser seqüelado com isso. Ligar eu não ligo. Mas ali, naquela hora, precisava convencer a progenia que tudo o que ela pagou criou um debilóide pra lá de competente com todo o resto. Tinha que tomar uma atitude.

- Manhê, deixa meu Toddynho em paz!

6 comentários:

A Senhora disse...

Nem liga... Tenho um que comia salada, aos 5 anos, em plena Pizza Hut. Que hoje só pede pizza de brócolis. Outro que não toma refrigerante de jeito algum e é capaz de tomar só água em festas de aniversário.
Mãe adora ficar decepcionada só para ter história para contar de seus filhos crescidos! ;)

beijinhos, nino!

Tyr Quentalë disse...

Muitas vezes mantemos um costume que pode vir a ser estranho para os nossos pais, mas talvez isso aconteça porque eles não puderam seguir esta liberdade que possuímos hoje em dia. Diferente de sua mãe, eu tenho que enfrentar um olhar de decepção, justamente por eu sequer tomar um toddynho, porque se eu o tomasse, com certeza, ela estaria dando pulos de alegria. rs
Releve, dê de ombros, seja feliz com o Toddynho, pois já não podemos mais ser feliz na ausência do Lollo.
Ai que saudades do meu: Tô Fofo!

iaiá disse...

sei lá acho que no fundo ela deve olhar esse homão enorme e pensar...no fundo não cresceu nadinha! meu neném! rsss

Tecnenfermaginando disse...

todynho ainda passa... mas o tal do danoninho... minha nossa!

tenho até vergonha qdo vou ao supermercado (coisa rara, mas às vezes, acontece!) e tenho que trazer os montes dele...

para quem? meu filho de 26 anos!

o engraçado, é que normalmente ele quem faz isto... e não tem o mínino de constrangimento...

bom fim-de-semana!

mfc disse...

Essas pequenas coisas não são importantes!
E se gostamos... onde é que está o mal?!

Troll disse...

MAMA:
Tem horas q é legal parecer saído de um livro, ou coisa assim, afinal. :-D

TYR:
O Lollo realmente nos faz falta. Mas jamais abandonei o Toddynho, mesmo. Acho que manter o q podia da infância sempre me ajudou a não me render ao estresse.

IARA:
*rs* Bom, não sou mãe pra entender tão bem esses entremeios. Mas nem faço questão de crescer, sabe?

TEC:
Olha... pode parecer constrangedor, mas eu ainda acho Danoninho gostoso. Como não vou ao mercado, no entanto, nunca mais tomei, mesmo.

MFC:
Pois é, acho que não tem idade pra achar essas coisas ainda tão gostosas como antes, vai.